Correio do Povo – 23/04/2010

Uma missão de seis inspetores da Coreia do Sul está no Brasil para vistoriar o sistema de produção de suínos. A comitiva está desde quarta-feira em Santa Catarina e não há confirmação de roteiro no Rio Grande do Sul. O grupo, que fica até o dia 6 de maio no país, deve analisar o sistema de saúde animal. Segundo o presidente da Abipecs, Pedro Camargo Neto, a visita é um bom sinal, já que é a primeira vez que aquele país envia técnicos ao Brasil. “Não quer dizer que irão abrir imediatamente o mercado, mas a vinda deles representa um passo muito importante.”Mobilizado para fomentar novos mercados à carne suína brasileira, Camargo Neto esteve reunido, ontem em Brasília, com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, para pedir apoio ao setor. Durante o encontro, ressaltou o avanço nas negociações com a China e a África, o que ficou evidente na semana passada, quando representantes daqueles governos estiveram no Brasil. “Acreditamos que ainda há espaço ao país para exportar mais”, frisou Pedro Camargo Neto.

Além do potencial externo, a suinocultura brasileira vive um momento de retomada. Depois de um 2009 no vermelho, 2010 promete maior rentabilidade. Um dos principais fatores é o custo médio de produção, que, no ano passado, chegou a R$ 2,30 por quilo e, nesse ano, é de R$ 1,90. Segundo o diretor do Sips, Rogério Kerber, o recuo de 10% a 15% no custo da criação pode ser até maior em empresas que dispõem de mais tecnologia.

A desvalorização do milho tem contribuído para este cenário. Segundo levantamento conjuntural divulgado ontem pela Emater, a saca de 60 quilos teve recuo de 1,90% apenas nesta semana, passando a valer R$ 14,95. “O produtor de milho foi favorecido no ano passado. Agora, ocorre o inverso”, ponderou Kerber. No entanto, ele destaca que o equilíbrio seria o ideal. O agrônomo da Emater Dulphe Pinheiro Machado Neto alerta que a desvalorização pode desestimular o plantio. Com 70% da lavoura colhida, a produtividade é de 4,4 mil kg/ha.

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